O elenco do Teatro Popular de Ilhéus apresentou-se ontem (27), pela segunda vez, no Sommerwerft Theater Festival (“Festival
Teatral de Verão”), na cidade de Frankfurt, na Alemanha. Desta vez,
esteve em cena a mais nova montagem do TPI, “Baltazar e a terrível
peleja entre o Cangaceiro e o Coronel ou às vezes tem briga que termina
em merda” – um espetáculo de mamolengos contra o discurso de ódio e a
violência. Estreado no dia 1º de junho, a obra foi escrita e dirigida
por Romualdo Lisboa.
O elenco composto por Shicó do Mamulengo, Tânia Barbosa, Gilberto
Morais e Ely Izidro dá vida a 10 bonecos, com trilha sonora executada ao
vivo por Antônio Melo, Pablo Lisboa e Cabeça Isidoro. O cenário, que
não pôde ser transportado, foi remontado no local por Romualdo e Shicó.
Além do cenário físico, há também um cenário virtual em projeção mapeada
criado por Hermilo Menezes, que também compõe a equipe técnica da
viagem.
“Teodorico” na abertura
A participação do TPI no festival começou com nada menos que a
abertura oficial do evento, no qual o grupo apresentou o consagrado
espetáculo “Teodorico Majestade: as últimas horas de um prefeito”. Em
cartaz há 13 anos, a montagem ganhou novos elementos, que incluiu uma
banda composta por Isidoro Cabeça (o Cancioneiro – voz e violão), Pablo
Lisboa (violão), Antônio Melo (acordeom) e Gilberto Morais (zambumba).
Oficinas e interação
Ambos os espetáculos tiveram legendas traduzidas para o alemão para
que pudessem ser exibidos no evento. Além disso, o grupo também levou o
programa de cada espetáculo totalmente traduzido para o inglês. Durante o
evento, o grupo do Teatro Popular de Ilhéus também ministra e participa
de oficinas e trocas de experiências com outros grupos – inclusive com
grupos brasileiros.
Foram três dias ministrando oficinas, ensinando técnicas teatrais
como a do Mondrongo, além de confraternizar com os participantes
trocando experiências musicais e culinárias. Além das trocas e amizades
estabelecidas, o grupo também enfrenta o calor do verão europeu, que
chegou a atingir 40º C com sensação térmica de 49º C. A amplitude
térmica do país também é alta, chegando à mínima de 13º C em dias mais
“amenos” desde a chegada do grupo.
Companhias do mundo
O TPI está marcando presença com 11 integrantes do grupo, levando
espetáculos, oficinas e experiências para as terras europeias. Em seus
24 anos de história a companhia já viajou para diversas cidades do
Brasil e da América Latina, mas pisa pela primeira vez em outro
continente. Iniciado no dia 19 de julho, o festival seguirá até 04 de
agosto e recebe companhias do mundo inteiro.
O convite para a participação no evento foi feito pelo grupo alemão
“Antagon Theater AKTion”, responsável pela organização do festival. Para
participar do evento, o TPI necessitou realizar uma campanha de
arrecadação para arcar com as despesas da viagem, que levou atores,
diretores e técnicos, além de figurinos, cenários e equipamentos
necessários para as apresentações.
Campanha por apoios
A participação do TPI no Sommerwerft Theater Festival foi
possível graças à colaboração de entidades da sociedade civil e doações
de amigos do TPI, além de recursos públicos pela Prefeitura de Ilhéus;
no entanto, o custeio total da viagem precisou ser complementada com
recursos próprios, que ainda precisam ser ressarcidos para que as
atividades do TPI em 2019 continuem acontecendo.
Por essa razão, informam os organizadores, a campanha de arrecadação
continua. A contribuição pode ser feita por qualquer pessoa através de
depósito em conta no Banco do Brasil, agência 3192-5, conta corrente
15598-5, ou ainda via cartão de crédito diretamente na Tenda TPI. Outras
formas de contribuição podem ser consultadas pelo e-mail tpilheus@gmail.com.
O Teatro Popular de Ilhéus é uma instituição cultural mantida pelo
programa de Ações Continuadas de Instituições Culturais – uma iniciativa
da Secretaria de Cultura da Bahia com recursos do Fundo de Cultura do
Estado da Bahia, mecanismo que custeia, total ou parcialmente, projetos
estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de
direito público ou privado.
Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente,
aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo
apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à
iniciativa privada.

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